Os softwares estão substituindo o cartão de crédito




No último dia 25 a Apple lançou o Apple Card, seu novo serviço de cartão de crédito. O anúncio causou espanto e apreensão em diversos setores, e não é para menos. A empresa com atuação em diferentes áreas do mercado, com poder de negociação e um enorme arsenal tecnológico, não entra em jogo para perder. As empresas de cartão de crédito grátis nos EUA, em princípio, e depois nas outras localizações para onde o serviço for oferecido, precisarão se preparar para a entrada deste grande player em seu mercado.


Basicamente o Apple Card será um cartão de crédito virtual, apesar de ter seu correspondente físico, sem anuidade e taxas — exceto em casos que o usuário pague menos do que a fatura total. Quando falamos em cartão virtual, pode-se sim pensar em reconhecimento facial e leitura de digital para liberar a compra. Além disso, o número do cartão será fornecido por meio da Wallet, sem que esteja impresso no cartão físico, que tem design minimalista e foi pensado como um objeto de transição, já que a ideia é tornar todo o processo totalmente digital.


No Brasil, empresas como Nubank e Digio, que fornecem cartão de crédito sem anuidade, sentirão o impacto da chegada do novo player — ainda não prevista. O maior diferencial — e o que é uma vantagem enorme frente aos concorrentes — é o serviço chargeback da Apple. A empresa está prometendo devolver de 1% a 3% do dinheiro gasto por meio de seus cartões para os usuários. Com isso, a Apple está zerando a própria receita com o cartão e a retornando aos usuários. Não será fácil para as startups de cartão de crédito concorrem com estas condições.


O Apple Card, portanto, se apresenta como um forte concorrente e decisor no mercado financeiro. Isso porque a Apple está se dispondo a reinventar a tecnologia por trás dos cartões de crédito. Tanto bancos, que terão que se adaptar rapidamente à inovação e repensar as taxa cobradas, quanto fintechs, que precisarão oferecer produtos tão vantajosos quanto essa nova forma de se fornecer e operacionalizar crédito, vão ter que se adequar ao mercado que o novo player irá formar.

Além destes, com a desmaterialização do cartão, os terminais de POS também vão sentir o impacto do lançamento. Hoje, Cielo, Stone e PagSeguro brigam por vender o POS no Brasil. Mas este negócio está fadado a se tornar ultrapassado ao passo que, tecnologias como a que o Apple Card usa, já estão sendo desenvolvidas para substituir as maquininhas por um celular, por meio de um POS virtual.


Se por um lado faz frente a fintechs e máquinas de cartão, por outro a Apple abre caminho para que ideias disruptivas neste setor sejam desenvolvidas. Com a validação do mercado feita por uma gigante, empresas de menor porte podem apostar em softwares de pagamento sem medo, abrindo um oceano de possibilidades. Parafraseando Marc Andreessen, co-fundador da Netscape, que diz que o “o software está comendo o mundo”, neste caso, o software está, também, tomando o lugar dos cartões de crédito.

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